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CRÔNICAS DE MAURO BOMFIM

 

Consulado americano

Mauro Bomfim

 

Loas a Dilma. Alvíssaras a Obama. A viagem presidencial aos EUA rendeu a notícia mais esperada pelos valadarenses: a abertura de um consulado americano em Belo Horizonte, a capital dos mineiros.

 

Ainda imagino que esse Consulado deveria ter como sede a nossa Valadares, muito mais próxima em identidade com as cidades co-irmãs americanas na região de Boston, Massachussets.

 

Até já existe um tratado de irmandade em razão da célebre diáspora da imigração que começou nos tempos de Mr. Simpson, aquele simpático engenheiro que trabalhou na construção dos trilhos da Vale do Rio Doce, morava na região do bairro SIR e começou a levar grupos de valadarenses para a América.

 

É evidente que nossa cidade é campeã na remessa de brasileiros para os EUA. Hoje, com a força do real, não mais pelo subemprego, mas sim pelo turismo de eventos e de negócios. Quantos valadarenses não vão a Miami ou Nova York fazer compras. Ou para Orlando na Disney se divertir com a família. Tanto que o Brasil se tornou o 4º país em contingente de turistas nos EUA. É um dado de relevante significação.

 

Tanto que as autoridades americanas já pensam em flexibilizar a exigência do visto em alguns casos. A instalação do consulado em Belo Horizonte é um desejo de décadas. É uma humilhação para os mineiros ter que viajar para o Rio, Brasília, São Paulo e Recife, sendo obrigado a gastar com despesas de viagem, hotel, alimentação e ainda ficar a horas a fio em filas intermináveis. Dinheiro que poderia ser poupado para as compras em Miami ou diversão na Disney.

 

A imigração está impregnada na alma valadarense. São “recuerdos”, emoções, vidas separadas, dores de saudade dos entes queridos, alguns que perderam a vida na selva de pedra yankee. São terras do Tio Sam conquistadas palmo a palmo pela força de nosso povo.

 

Por isso ouso lançar aqui um movimento para mobilizar as classes empresariais e todas as forças positivas de Valadares. A meta do consulado é para 2012. Assim, ainda é possível instalar o Consulado americano em nossa cidade, ao invés de Belo Horizonte. Vamos lutar por isso, nem que seja à moda antiga dos povos da floresta: com a machadinha nas mãos e a faca entre os dentes.

Mauro Bomfim é advogado e jornalista

 

Daniel Alves

e a banana

Mauro Bomfim

 

A Lei Afonso Arinos completa 65 anos. Viva a Lei Afonso Arinos. Abaixo o racismo. Passou a vigorar em 1951. Sancionada pelo Presidente Getúlio Vargas, traz a rubrica do grande mineiro Negrão de Lima, então ministro da justiça.

 

Primeira lei a considerar o racismo prática delituosa, foi idealizada pelo grande estadista e parlamentar mineiro Afonso Arinos, um dos grandes homens da República. Em 1985, uma nova lei foi editada ampliando o texto. A Constituição Cidadã de 1988 decretou: o racismo é crime inafiançável. Quem o pratica fica preso e não pode pagar fiança.

 

Recordo-me da Lei Afonso Arinos a propósito dos episódios de racismo nos estádios. O mais recente aconteceu em Villarreal, na Espanha, em plena Europa do novo milênio.

 

Um empedernido torcedor racista joga uma banana para o craque Daniel Alves. O brasileiro que joga no Barcelona calmamente apanha a banana, descasca e placidamente a come diante da multidão do estádio e das câmeras de televisão de todo o mundo .

 

Daniel Alves com este gesto singular indiretamente deu um coice na inteligência burra do torcedor racista. O gesto espontâneo do atleta deu uma lição ao mundo de indulgência com práticas racistas. Felizmente, o torcedor que atirou a banana, empregado do clube Villarreal já está preso e pode pegar até três anos de cadeia.

 

Se fosse no Brasil, não caberia fiança graças a Lei Afonso Arinos.Viva Daniel Alves. Abaixo o racismo. Viva a Lei Afonso Arinos.

 

A genial Carmem Miranda , com seus balagandãs e turbante feito de banana é um ícone da música internacional. Fez fama no mundo inteiro com a marchinha Yes Nos Temos Banana, composição de Braguinha e João de Barro .

 

Viva a Lei Afonso Arinos. Abaixo o racismo. Viva Daniel Alves. Yes, nós temos banana, banana prá dar e vender

Mauro Bomfim é advogado e cronista

 

 

MAURO BOMFIM é advogado e cronista – maurobomfim@maurobomfim.com.br

 

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