TELEFONE (33) 3341.1026

 
 
             
I
 

CRÔNICA DE MAURO BONFIM

VOZES ETERNAS

Hoje não molharei a pena em ácido sulfúrico para combater os corruptos e poderosos do dia. Não falarei de Carlinhos Cachoeira, nem dos mensaleiros, tampouco dos presos na última operação da polícia federal.

Janeiro é mês de férias, muito sol, praia e mar. Vou teclando velozmente meu teclado android para falar de música, de grandes vozes eternizadas pelo tempo e que continuam fortes, vozes de veludo, heroicamente resistindo às agruras das cordas vocais, num planeta cada vez mais poluído.

David Bowie, o astro do rock inglês está vindo ao Brasil no próximo ano. Aos 66 anos, sua voz metálica ainda é a mesma ao cantar Where Are We Now e outros grandes hits.

O que Madonna e Lady Gaga fazem hoje, o performático Bowie já fazia nos anos 70 com suas encenações circenses e visual psicodélico. Frase vivíssima de Lavoisier: nada se cria, tudo se copia.

Outro monstro sagrado da música, Joe Cocker, quase setentão, aos 69 anos continua com sua voz rouca poderosíssima. Como naquele famoso comercial da caderneta de poupança, o tempo passa, o tempo voa e a voz de Joe Cocker continua a mesma e arrasadora ao interpretar os clássicos Unchain My Heart, With A Little Help From My Friends e Fire it Up. A qualidade vocal do setentão foi conferida de perto no ano passado em apresentação na capital mineira.

Falando de ícones da música da terra brasilis, ela continua com sua voz insuperável aos 70 anos. Arrancando evoluções jazzísticas dificilmente alcançadas por outros cantores. Formada em piano clássico, com o requinte de tocar Schubert e Chopin, é como intérprete da música popular brasileira que ela se supera. O cantor norte-americano Tony Benetti chegou a compará-la a Ella Fitzgerald.

Soltando a voz em sub-tons quase inatingíveis, como nas canções do talentoso Johnny Alf, da turma da Bossa Nova ou cantando em inglês os clássicos do jazz, por influência do genial brasileiro/americano Sérgio Mendes, ela chega aos 70 anos com a voz potente e poderosa de anos atrás e com a mesma jovialidade nas cortas vocais, a exemplo de Cauby Peixoto, aos 80 anos, com a mesma voz que exibiu no início da carreira, em 1950, nos microfones da velha Radio Nacional..

Eu me refiro a Leny Andrade, capaz de cantar jazz com a mesma naturalidade com que interpreta as canções de Cartola.

No momento da música tupiniquim, em que as rádios, a internet, a tevê e as mídias inundam nossos ouvidos com disputas musicais que mais parecem gincanas automobolíticas, com os camaros amarelos, as fiorino, os land rovers e os chevettes, eis uma pausa nas férias de janeiro para se ouvir uma música fina e sofisticada;
_____________________________________________________________________
MAURO BOMFIM é jornalista e advogado.

Leny Andrade - cantora

 

Dodge-ram

Fiorino

Land Rover

camaro amarelo

 

   

 

Jornal Boca do Povo - DIREÇÃO JOÃO ROSENDO - Copyright 2010 - Todos os direitos reservados
Desenvolvido por Multimídia Informática